quinta-feira, setembro 07, 2006

Funcionário Público: O Tahliban Português

Cada vez que ligo a televisão, leio o jornal ou oiço a rádio fico cada vez mais convencida que pertenço a um novo grupo de terroristas - os funcionários públicos.
Quais tahlibans da nossa sociedade, vamos semeando o medo e a desgraça dia após dia, contribuindo para a destruição do erário público.
Cada vez que atendo o cidadão anónimo, a quem dedico a maior parte do meu dia, estou a afundar cada vez mais a nossa nação.
De acordo com o que escuto e vejo, sou o mais vil dos seres: em nada contribuo para a riqueza do país, limitando-me a encher o meu bolso com subornos, subsídios, favores...
No entanto, a realidade é bem diferente!
Levanto-me às 7 da manhã para encarar 50 km de caminho, almoço em 10 minutos, passo 7 horas a atender pessoas que estão doentes e insatisfeitas e volto, para mais uma hora de percurso. Em idas e vindas gasto metade do meu ordenado que dizem principesco, mas não me queixo porque: ADORO O QUE FAÇO.
Em cada obrigado, em cada sorriso sinto que o que se diz não corresponde ao que as pessoas sentem a meu respeito. Eles (os utentes, beneficiários, contribuintes - o que lhe quiserem chamar) são a razão da existência da Administração Pública e cada vez mais temos de gerir a nossa actividade em sua função.
Sou muitas vezes confidente das suas maleitas, problemas familiares e financeiros. Convivo com uma realidade já longe da vida urbana. Lá o tempo corre mais devagar. Existe sempre um bom- dia e é aí que deixo de ser a tahliban e passo a ser a Funcionária Pública - aquela que serve o público.

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