Hoje apetece-me escrever. Escrever por escrever. Apenas dizer qualquer coisa. Dizer, por exemplo, que o dia não foi fácil. Passou devagar.
Há dias assim. Que por dentro explodimos e por fora mantemos aquela expressão impávida de que tudo corre bem e que a vida é uma estrada a direito. Sem buracos, sem filas de trânsito e sem curvas apertadas.
É curioso como somos os maiores actores na nossa própria vida. Então como estás? - perguntam. Está tudo bem. A vida corre. Por dentro, os neurónios gritam: Shame on you! Sabes perfeitamente que estás a ferver. Tens a tensão a mil, só te apetece chorar. Será Síndrome Pré-Menstrual?
O que vale é que o dia está a acabar e amanhã o sol nasce para todos (eu, incluída).
segunda-feira, novembro 20, 2006
segunda-feira, novembro 13, 2006
Quero ser espanhola
Hoje, dia 20 de Dezembro do ano da graça de 2006, decidi que quero ser espanhola.
Porque raio é que a rica mãezinha de D. Afonso Henriques, D. Teresa de Leão, não lhe deu uns valentes açoites durante a Batalha de S. Mamede? Por causa dela e só por causa dela, estamos há 800 anos a levar no "toutiço".
Ele é a conjuntura, a subida do petróleo, o défice das contas públicas. O que é certo, é que cada vez pago mais caro e cada vez ganho menos.
Nuestros hermanos, que mais parecem nuestros algozes e apesar das dificuldades que também dizem sentir, passeiam alegremente pelas nossas cidades, carregadinhos de euros.
Bem sei que nem todos os espanhóis vivem bem. Que também há miséria, problemas sociais, dificuldades para todos os gostos e feitios. Mas... não vivem com 400 euros de ordenado mínimo.
Acho que vou esquecer o orgulho na pátria lusa e pedir asilo político aos vizinhos!
Porque raio é que a rica mãezinha de D. Afonso Henriques, D. Teresa de Leão, não lhe deu uns valentes açoites durante a Batalha de S. Mamede? Por causa dela e só por causa dela, estamos há 800 anos a levar no "toutiço".
Ele é a conjuntura, a subida do petróleo, o défice das contas públicas. O que é certo, é que cada vez pago mais caro e cada vez ganho menos.
Nuestros hermanos, que mais parecem nuestros algozes e apesar das dificuldades que também dizem sentir, passeiam alegremente pelas nossas cidades, carregadinhos de euros.
Bem sei que nem todos os espanhóis vivem bem. Que também há miséria, problemas sociais, dificuldades para todos os gostos e feitios. Mas... não vivem com 400 euros de ordenado mínimo.
Acho que vou esquecer o orgulho na pátria lusa e pedir asilo político aos vizinhos!
quinta-feira, setembro 07, 2006
Funcionário Público: O Tahliban Português
Cada vez que ligo a televisão, leio o jornal ou oiço a rádio fico cada vez mais convencida que pertenço a um novo grupo de terroristas - os funcionários públicos.
Quais tahlibans da nossa sociedade, vamos semeando o medo e a desgraça dia após dia, contribuindo para a destruição do erário público.
Cada vez que atendo o cidadão anónimo, a quem dedico a maior parte do meu dia, estou a afundar cada vez mais a nossa nação.
De acordo com o que escuto e vejo, sou o mais vil dos seres: em nada contribuo para a riqueza do país, limitando-me a encher o meu bolso com subornos, subsídios, favores...
No entanto, a realidade é bem diferente!
Levanto-me às 7 da manhã para encarar 50 km de caminho, almoço em 10 minutos, passo 7 horas a atender pessoas que estão doentes e insatisfeitas e volto, para mais uma hora de percurso. Em idas e vindas gasto metade do meu ordenado que dizem principesco, mas não me queixo porque: ADORO O QUE FAÇO.
Em cada obrigado, em cada sorriso sinto que o que se diz não corresponde ao que as pessoas sentem a meu respeito. Eles (os utentes, beneficiários, contribuintes - o que lhe quiserem chamar) são a razão da existência da Administração Pública e cada vez mais temos de gerir a nossa actividade em sua função.
Sou muitas vezes confidente das suas maleitas, problemas familiares e financeiros. Convivo com uma realidade já longe da vida urbana. Lá o tempo corre mais devagar. Existe sempre um bom- dia e é aí que deixo de ser a tahliban e passo a ser a Funcionária Pública - aquela que serve o público.
Quais tahlibans da nossa sociedade, vamos semeando o medo e a desgraça dia após dia, contribuindo para a destruição do erário público.
Cada vez que atendo o cidadão anónimo, a quem dedico a maior parte do meu dia, estou a afundar cada vez mais a nossa nação.
De acordo com o que escuto e vejo, sou o mais vil dos seres: em nada contribuo para a riqueza do país, limitando-me a encher o meu bolso com subornos, subsídios, favores...
No entanto, a realidade é bem diferente!
Levanto-me às 7 da manhã para encarar 50 km de caminho, almoço em 10 minutos, passo 7 horas a atender pessoas que estão doentes e insatisfeitas e volto, para mais uma hora de percurso. Em idas e vindas gasto metade do meu ordenado que dizem principesco, mas não me queixo porque: ADORO O QUE FAÇO.
Em cada obrigado, em cada sorriso sinto que o que se diz não corresponde ao que as pessoas sentem a meu respeito. Eles (os utentes, beneficiários, contribuintes - o que lhe quiserem chamar) são a razão da existência da Administração Pública e cada vez mais temos de gerir a nossa actividade em sua função.
Sou muitas vezes confidente das suas maleitas, problemas familiares e financeiros. Convivo com uma realidade já longe da vida urbana. Lá o tempo corre mais devagar. Existe sempre um bom- dia e é aí que deixo de ser a tahliban e passo a ser a Funcionária Pública - aquela que serve o público.
terça-feira, setembro 05, 2006
Rock in Rio 2006
Este ano e já como repetente, decidi voltar aos sweet sixteen. Como eu e o meu irmão, em fase pré "hormonas aos saltos", temos gostos comuns (melhor, ensinei-lhe a ouvir Space Oddity do David Bowie e ele, depois de muitas insistências, mostrou-me como se aprecia Da Weasel) decidimos ir ao Rock in Rio 2006.
Em 2004, ele tinha ido com os meus pais assistir aos Evanescence. Eu, por meu turno, fiquei-me pelo não muito comprometedor Sting & Cia.
Mas este ano o programa era, para nós, mais aliciante: eu achava piada aos Orishas, ele adorava os Da Weasel e ambos amamos os Red Hot Chili Peppers.
Para comemorar, decidimos embarcar numa aventura sem precedentes. Para ele, na sua curta vida, era a chance de assistir a um grande espectáculo. Para mim e o meu namorado, era o retorno à adolescência. Foi a loucura!
Decidimos viajar a bordo do comboio Rock in Rio, que nos conduziu por mais de 24 horas de puro divertimento.
Dirigimo-nos para a Estação de Campanhã. Foi lá que me apercebi como uma simples estação de comboios pode juntar vários mundos, realidades e conceitos. Ao mesmo tempo que nos preparavamos para embarcar na maior aglomeração de hormonas em ebulição por centímetro quadrado, partia também a maior concentração de betos, em direcção a uma qualquer quinta no Douro. O contraste era enorme. Embora na mesma faixa etária da jovem esposa, muito coquete, no seu fatinho de corte clássico que abraçava o esposo (jovem quadro superior de um banco) sentia-me nos seus antípodas. As minhas sapatilhas contrastavam com os saltos agulha, as jeans do meu namorado não podiam estar mais distantes dos chinos de griffe do senhor gerente de conta. No entanto, por breves instantes, apesar de habitarmos o mesmo espaço e a mesma faixa etária, vi um olhar de inveja daquele homem que nos olhava.
Já dentro do comboio e por algum tempo duvidei da minha sanidade mental. Por todo o lado vi rostos imberbes, piercings, umbigos à mostra (nada a que não estivesse já habituada)... O problema eram os gritos! É que, a cada abrandamento, e desde que se vissem pessoas nas ruas, as jovens (que iam de cabeça de fora) gritavam: PUAAAAAAAAAAARTO!!!!!!!!!
Foi nessa altura que pensei: porque raio não trouxe eu diazepam? Xanax, Unisedil, Bialzepam, todas as marcas de calmantes, suporíferos e afins passaram pela minha mente. Estava a ficar algo preocupada.
No entanto, apesar da chinfrineira, fizemos uma viagem muito agradável.
Chegámos a Lisboa, bebemos uma água no Centro Comercial e fomos para o metro, em direcção ao Parque da Bela Vista. Foi aí que nos apercebemos da maior diferença entre Lisboa e Porto: o calor. Foi quase impraticável a subida desde a estação do metro até ao parque. Nos suávamos, arrastavamo-nos, babávamos, quais lesmas em busca de sombra. Mas de quem terá sido a ideia peregrina de fazer ruas a subir? Os polícias e seguranças que acompanhavam o percurso deixavam-nos ainda mais desesperados porque nem uma gota de suor assomava aquelas testas.
Já no parque, depois de um bom descanso debaixo de umas árvores e de deambular pelos vários stands, foi a altura de nos preparamos para os concertos.
Os Orishas, com o seu som muito cubano abriram caminho para a noite que se adivinhava memorável.
Os Kasabian foram para mim uma boa surpresa. Sentiu-se uma química enorme entre o grupo e o público (apesar de não conhecermos as músicas). Eles traduziram na perfeição a expressão: primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Chegou um dos momentos maiores do Rock in Rio o concerto dos Da Weasel. Apesar de esmagada, pisada, suja e sequiosa, estava maravilhada. Há quem diga que eles podiam ter feito melhor, mas para nós, que lá estávamos, foi simplesmente MARAVILHOSO.
Em completo delírio, chegou o momento por que tanto esperávamos. Tendo estado a maior parte do tempo nas filas da frente, nós os mais velhos, começámos a notar o efeito dessa mesma idade: a dor nos pés rapidamente se alastrava às pernas e costas. Apesar da meia birra do meu irmão, viemos para uma zona mais distante do palco, mas onde nos podíamos sentar e gozar devidamente e espectáculo.
E... foi FABULOSO! Todas as músicas que atravessaram pelo menos duas gerações estavam lá e foram cantadas em coro. Até a completa falta de interacção do vocalista com o público foi perdoada pela performance do artista - a dança louca, a inquestionável voz e a enorme simpatia dos outros elementos da banda fizeram deste concerto um espectáculo único e irrepetível.
Cansados, cheios de pó e de sono mas com a alma muito cheia e completamente revigorada, fomos para o comboio.
Mais uma experiência digna do Twilight Zone. Toda a gente se deitava nos bancos, dormindo, mitigando a fome e a dor nos pés, ou apenas tentando libertar a adrenalina que restava...
O resultado? Apesar da CP ter sido bastante previdente e acima de tudo muito inteligente (se calhar experiente), fretando dois comboios em vez de um, a falta de bancos era notória.
Resultado: fiz uma viagem de 3 horas e tal com miúdos que, completamente alheios ao que os rodeava, indiferentes ao desconforto dormiam no chão dos corredores, junto às casas-de-banho (pelo que tive de passar por cima de três que dormiam no espaço de 2 metros: dois para cima, um para baixo) e até nas prateleiras das malas.
Estação do Porto - Campanhã. Chegamos mais ricos do que partimos: as memórias de mais esta aventura vão perdurar e não há bem maior que uma excelente recordação de um momento feliz.
domingo, setembro 03, 2006
Já nos trinta
Começo a achar que tenho mais de trinta anos. Perguntam-me a data de nascimento e eu respondo com a mesma alegria - nasci num ano muito especial, 1974. Foi um ano de muito boa colheita! Depois apercebo-me que os mais jovens olham para mim como uma senhora de provecta idade.
Quando o empregado de café me diz: "50 euros para pagar um café, minha senhora?" O que eu estranho é a palavra Senhora. Para mim, senhora é a minha avó que tem 80 anos e é surda.
Um dia destes encontrei uma colega de escola. Dois filhos pela mão... Que estranho. Como é que uma rapariga tão nova já tem dois filhos? Então, já casaste?- pergunta-me ela. É claro que não. Só fiz 20 anos há pouco tempo... mais ou menos há doze anos. O sorriso amarelo estampa-se naquela cara que continua a mesma. Bem, vejo talvez uma ou duas ruguitas. (Não... são rugas de expressão. Sim, só pode ser isso. Ela tinha-as já no 10º ano!)
Em encontros sociais, as mesmas perguntas. Então quando é que vocês se casam? Olha que precisam de pensar em meninos, tu já não vais para nova e depois é mais difícil. Respondo invariavelmente o mesmo: ainda é muito cedo, temos de nos conhecer melhor. É claro que toda a gente se ri, porque tenho o mesmo namorado há 13 anos.
A verdade, verdadinha é que acho mesmo que é muito cedo, ainda me sinto com 18 anos. Será que ninguém nota? Ainda gosto de me divertir a jogar Playstation, a ouvir música, a pregar partidas.
Quando o empregado de café me diz: "50 euros para pagar um café, minha senhora?" O que eu estranho é a palavra Senhora. Para mim, senhora é a minha avó que tem 80 anos e é surda.
Um dia destes encontrei uma colega de escola. Dois filhos pela mão... Que estranho. Como é que uma rapariga tão nova já tem dois filhos? Então, já casaste?- pergunta-me ela. É claro que não. Só fiz 20 anos há pouco tempo... mais ou menos há doze anos. O sorriso amarelo estampa-se naquela cara que continua a mesma. Bem, vejo talvez uma ou duas ruguitas. (Não... são rugas de expressão. Sim, só pode ser isso. Ela tinha-as já no 10º ano!)
Em encontros sociais, as mesmas perguntas. Então quando é que vocês se casam? Olha que precisam de pensar em meninos, tu já não vais para nova e depois é mais difícil. Respondo invariavelmente o mesmo: ainda é muito cedo, temos de nos conhecer melhor. É claro que toda a gente se ri, porque tenho o mesmo namorado há 13 anos.
A verdade, verdadinha é que acho mesmo que é muito cedo, ainda me sinto com 18 anos. Será que ninguém nota? Ainda gosto de me divertir a jogar Playstation, a ouvir música, a pregar partidas.
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